segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Ó mãe... olha, sem mãos!

Boas,

Ontem foi dia de dar uma voltinha de bike pelo meu quintal, de onde saquei este vídeo com o telemóvel e algumas fotos dos trilhos por onde andei.
Foi um treino naquela de lobo solitário e higiénico, daqueles que se fazem só para justificar uma banhoca :)
Percorri cerca de 15 km em 1:11'. Nada de especial, mas ao mesmo tempo muito divertido!
 O momento alto da manhã, foi quando me lembrei de filmar parte do percurso, com uma mão no guiador e outra a segurar o telemóvel. Uma aventura! Quem não investe em "GoPro's" sujeita-se :)

  






Hasta

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

"No meio do dilúvio" by Jorge Farinha

Às vezes oiço dizer: "O que é bom é para se mostrar!"
Concordo! E por isso vou partilhar o relato mais abaixo, que guardo no disco rígido como se fosse um tesouro, para reler de vez em quando!


E esta recordação surgiu, graças ao magnífico  relato ventoso da aventura deste fim de semana do Jorge Branco, no seu blog Último Km, e que me fez recordar de uma aventura ciclística de há uns anos atrás.

Assim, lá fui ao baú procurar por aquele magnífico relato dessa volta, escrito por um dos participantes desse passeio de bicicleta, o Jorge Farinha. Outro Jorge... :)
O relato foi escrito após um dia idêntico ao de ontem, com muita chuva e vento, ou melhor, com muito mais chuva que vento do que este fim de semana... e foi publicado no Forumbtt (ainda lá está),  ponto de encontro virtual da Santa Malta e onde se combinavam as voltinhas domingueiras. 
Fez recentemente 10 anos (17 de Janeiro de 2006) que essa épica volta de bicicleta aconteceu, e em jeito de celebração de efeméride e homenagem a esse momento inspirado do Jorge Farinha, partilho-o aqui!


A malta, identificada no texto com os nicknames do Forumbtt:
Bicho-do-mato - Jorge Farinha
Best - Luis Estêvão
Pastor - Zé Carlos
BBC - Bruno
Yamabike - Vitor
Mag - Marco
Comandante - Luis de Miratejo


Lady's and Gentleman... "No Meio do Dilúvio" by Jorge Farinha:




  No Meio do Dilúvio 2006



Quando ontem saímos do café que serve de ponto de encontro em Stª Marta de Corroios, ao contrário do que é costume, ninguém perguntou:
“Então, como é que é? Qual é a volta para hoje?”

Não estranhei. Aliás, ninguém estranhou.
Na verdade, após tanta ansiedade durante a última semana com o desafio feito no “Fórum”, todos nós esperávamos o momento mágico de nos mandarmos feitos loucos por aquela descida abaixo, mesmo, mesmo ao lado do Cristo Rei e com acesso directo, senão ao céu, pelo menos ao doce marulhar das ondas do Tejo.
“Doce marulhar”, não é?
Doce o Caraças!!! O Camandro!!! O Catano!!! O Caneco!!! – Não, não vou utilizar a outra expressão popular boçal (utilizada pelas gajas com buço) em que estão a pensar.
Adiante.

Depois de uma descida com pelo menos 45º de inclinação, em que não vi “boi” da estrada por causa da água da chuva que o pneu da frente teimava em levantar e que (apesar do minúsculo guarda-lamas) me saltava para os olhos, depois do “single-track” que se seguiu, que mais parecia um caminho de “passadores” perdido no meio da Colômbia ou da Bolívia, havia ainda uma surpresa final, que nos tiraria a todos o fôlego. LITERALMENTE!!!
Mas já lá vamos…

Já no final do referido “single”, oiço o Best que ao me ver abrandar, pergunta:
- Então Bicho?
Ainda a recompor-me da descida, e olhando incrédulo para o cenário à minha frente, (enquanto que com as costas da luva encharcada limpava a água e a areia que me saltara para a cara) respondi-lhe:
- BEM, MEU,… C´A G´ANDA PEDRA!!!...
- Pois é, metes-te na bejeca, nos fumos, e depois quem paga são os pneus…
- Não, meu!
– respondi-lhe eu. – É mesmo uma G´ANDA PEDRA!
- Bicho, isso aí é a primeira base do tabuleiro da Ponte!!!
De repente calou-se e então eu percebi que finalmente tinha visto o mesmo que eu (que por ir à frente, tinha visto primeiro).

Se não queríamos voltar para trás, teríamos de passar por cima de centenas de milhar de penedos com arestas mais afiadas que aquelas facas chinesas que até cortam como se fosse manteiga, pregos de 2 cm de diâmetro. A terminar estas arestas erguiam-se bicos (isto soa-me mal) pontiagudos como lanças. Para fechar com chave de ouro, a cobrir as pedras existia um revestimento - ora esverdeado, ora acastanhado - de algas traiçoeiras, ameaçando mandar-nos ao chão ou partir-nos uma perna, cada vez que ousávamos levantar o pé para dar um passo.

Antes de se mandarem às pedras, Best e Bicho olharam para trás.
O resto do pessoal vinha colado a eles. Sim, é que esta gajada, não gosta de perder nem a feijões! Lá estava o Yamah Bike, lá vinham também o MAG (inteiro, apesar de ter descido praticamente sem travões) o Pastor com as bocas do costume e o BBC ( o Bruno). Coitado do Bruno… Ainda está mal refeito do choque frontal com o muro, e já lhe espetam com esta.
Isto há gente sem sentimentos!…
A meio dos penedos alguém interrompe o infindável rol de pragas do Pastor para dizer:
- Quem aqui fazia falta era o Luís de Miratejo. Ia adorar isto! A esta hora já estava farto de protestar que isto é uma “G´anda jorda”.
- Quem? O Comandante?
- Esse mesmo!


Mas a plantação de penedos não era tudo.
Quando 20 minutos depois acabámos de os ultrapassar e chegámos de novo à areia de uma minúscula praia, tínhamos à nossa espera um grupo de pescadores que à porta do seu abrigo e meio incrédulos com aquilo que viam, nos indicaram a subida até ao Pragal. Uma subida em terra batida (ou deverei dizer barro batido?) cortada por um rego de água cujo caudal nada ficava a dever às célebres e piores “levadas” na ilha da Madeira.
Uma subida mesmo à maneira para um outro companheiro sempre presente (o tal, que faz subidas na vertical a subir como se fossem descidas também na vertical, mas a descer).
Não fosse o doce - e sobretudo pestilento - aroma emanado pela estação de tratamento de esgotos, e estivesse tempo de sol em vez de chuva, seguramente que a vista lá de cima seria mesmo fabulosa.

Acabada que estava a subida, conseguimos com alguma dificuldade (sejamos honestos) resistir à tentação de seguir directinhos para o banho quente e para o conforto do lar, e lá fomos nós até à Costa, sempre a pedalar no meio de chuva - apesar das pragas do MAG por a lama e a areia nesta altura já lhe terem comido totalmente as pastilhas do seu travão da frente -, sempre com a imagem sobre o horizonte dos croissants com creme de ovo (huuummm!) e dos galões bem quentinhos como miragem.
Estes gajos não conseguem mesmo passar sem o bolinho… (eu cá prefiro o Gin crónico, ou a Mine e a sande de couratos, mas gostos não se discutem.)

Acabado o segundo, ou o terceiro (sei lá) pequeno-almoço, decidimos regressar a casa. Mas definitivamente as forças da Natureza estavam contra nós. Assim que abandonámos a pastelaria, veio o dilúvio. A chuva era de tal forma violenta que até fazia “fumo” no chão.
Apesar de completamente ensopado e enregelado, conseguia nitidamente ouvir as sádicas gargalhadas dos deuses por cima de nós.

“É bem feito Tó-tó! Quem te mandou sair de casa? Gostas de sofrer, não gostas? Então TOMA! E não te queixes, senão há-de ser bem pior!”

Que ofensa tão grave lhes teríamos nós feito?
Nem Noé vira alguma vez uma carga de água como aquela!

Porque “barco parado não faz viagem” decidimos sair de baixo dos toldos onde nos tínhamos abrigado, e fazer-nos ao caminho.
Devagar, para não sujarmos os automóveis com a água lamacenta que espirrava por onde passávamos, lá fomos em filinha pirilau até à “subida das vacas” sempre com o líquido (que dizem ser destilado, mas que ao contrário dos outros destilados que conhecemos não aquece), a cair a baldes por cima, pelos lados, por baixo…, o diabo!
Caramba, que aquilo até doía!
Ainda sob o efeito da “pedra” (acho eu), oiço o Best à minha frente a cantar:

Moro,
Num paízz tropicau,
Abençoado por Deuzzzzz,
E boniiiiiiito por naturezaaaaaah….


Seria mesmo o Best? Seria aquilo o tão apregoado cantar das sereias? Ou era simplesmente eu que estava a delirar?
Será que a culpada teria sido da última “Boémia” (eventualmente demasiado “fina” para ser misturada com tremoços), ou do Chamon fumado há 20 anos que estava tão estragado que só agora fazia efeito?
Por outro lado, também poderia ser o resultado do contágio desta nova doença que ataca os galináceos, transmitida por uma qualquer gaivota que arreliada com a intempérie e desejosa de se vingar em alguém, tivesse defecado em cima de mim, pegando-me o malfadado vírus e pondo-me a ouvir vozes…

Definitivamente, este foi um passeio para não esquecer tão depressa. Pelas melhores razões, claro! Ou não estivesse eu na companhia dos melhores amigos que alguém pode desejar ter.

Ai Tó, ai Filipe… nem sabem o que perderam.
Para a semana há mais. Com ou sem dilúvio. Mas com croissants com creme de ovo, seguramente!

Bicho-do-Mato
(com muito orgulho, sim Senhor.)


Sai um Gin Crónico para o Bicho-do-Mato, SFF!

Hasta

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Trail de Bucelas 2016


 

 

Boas,

 

Inesquecível! Esta foi uma daquelas provas que mais tarde, se tiver memória, vou contar aos netos!

 

Antes de mais, seguindo a tradição da malta que corre, vou já queixar-me das maleitas que impediram que eu ganhasse aquilo!

No sábado, antes da prova, tive uma dor de cabeça, que foi o culminar de uma semana de caca, que como diria o Otávio Palmelão: “Vocês sabem do que estou a falar…!”

Foi a cereja no topo do bolo!

Fui para a caminha com um brufene em cima, e para levantar a moral, adormeci a ver a Quinta do IKEA na TVI… aquele programa onde se montam e desmontam.

 

Domingo, levantei-me e estava mesmo “Baril”! Fixe! 
Cheguei a Bucelas, onde encontrei o Paulo Fialho, o tal da cabeçada contra o sinal de trânsito e recuperamos alguma conversa dos 30 anos que não nos vimos! A cicatriz mal se nota!
Também encontrei o pessoal dos corre@correr e após alguma galhofa e desejos de boas provas, demos um xi-coração e fomos para a partida!

 

A prova começou com uma brutal subida ao fim de uns 300 metros, que arrefeceu os ânimos de quem ia todo contente e a tirar selfies! 

Bucelas tem trilhos muito bons! Por inúmeras vezes ia a correr e imaginava-me ali com a minha BTT! Singletracks brutais e técnicos para disfrutar! Ficou na retina!

Também tem riachos e rios, que para serem transpostos a organização coloca e muito bem umas cordas de apoio, para que a malta não se esbardalhe. A água é fria…

Em relação à organização, 5 estrelas! A malta é toda bem recebida e nos postos de abastecimentos até parece que estamos a chegar a casa de uns tios ou assim! Gente muito simpática! Parabéns!

Nos postos de abastecimento havia laranjas, bananas, bolinhos, água e isotónico com fartura! Nada a apontar de negativo! 

Não vi a famosa cascata que a organização promoveu com fotos durante a semana no Facecoiso. Não vi, porque fui tótó! Agarrado à corda numa passagem pelo rio e a olhar para a água, nem olhei para o lado, para a cascata! Boa desculpa para lá voltar :)

 

A prova ia-me correndo bem, mas ia sentindo dificuldades nas subidas que tinham de ser feitas a caminhar. Ao fim de algumas subidas as pernas começaram a vacilar um bocado e a ficar doridas, mas quando o terreno aplanava, ia conseguindo recuperar o ritmo!

 

Até que… 

Aos  ca. 15 km subimos 150 metros de altitude no espaço de 1 km! A pique!

Ainda antes de subir, no ponto de abastecimento avistava-se a serra e uma fila de participantes, qual pequenas formigas coloridas a subirem aquilo a direito! Enquanto comia uma banana e um isotónico, ia olhando para aquele dejá-vu! Já tinha visto uma coisa parecida e que também hei-de contar aos netos. Na Rota da Neve em BTT da Serra da Estrela, há uns anos atrás, o visual da situação era o mesmo e tive que subir uma montanha daquelas, arrastando a bicicleta como podia, tentando não escorregar. Se ali o fiz com a bike às costas, aqui em Bucelas não haveria de ser mais difícil!

Foi do catano, do caneco e do camandro!

Foi subir tentando não escorregar na lama, tentando ganhar atrito em pedras, em raízes, em ervas, em participantes, enfim, tudo servia, desde que não fosse a rebolar para trás! Estou a brincar, claro que não pisei nenhuma raiz!
Quando acabei a subida, acabou a minha fabulástica prestação… pois a partir dali, foi gerir o esforço para acabar! Mal adivinhava eu que ainda haveria de vir outra irmã daquela subida…

Se até ali ia ultrapassando alguns participantes, dali até ao final fui eu sendo ultrapassado por meia-dúzia de atletas! Já não dava! Só queria acabar!

A malta fala das subidas, mas e as descidas? Também massacram bastante as pernas, de tal modo que já me era difícil travar!  

Mas teria que arranjar forças para ultrapassar a última montanha, que também não era nada fácil. A subida era menos difícil que a da primeira montanha, pois era feita ao ziguezague, tinha pedras, folhas, raízes e isso facilitava a progressão, mas apesar disso, já estava a pedir, a implorar que a prova acabasse, quando ainda faltavam 1 ou 2 kms!  

O último km da prova é a descer, mas como até isso me custava, fui indo por ali abaixo como podia!

Ao descer, vem um atleta a subir (!) que encontra um amigo no pelotão de 3 ou 4 onde eu ia… “Ah e tal vinha à tua procura! Fiquei em 6º”

Eh pá.. eu tento não ser mal-educado para ninguém, mas mentalmente mandei-o para alguns sítios :)

No entanto e apesar disso, ele até parecia simpático e brincava com o amigo, animando-o e acabando por espalhar a boa disposição: “És a 4ª mulher” dizia… :)
 

Finalmente lá cheguei à meta… e pude descansar! Ufa! 

A reter desta participação… tenho que treinar mais subidas em montanha, pois para o ano que vem, quero lá voltar!

Para a história e arquivo pessoal: acabei a prova em 2h25min,  em 107º da geral, entre 478 participantes.
 

 

 




Hasta!

Trail de Sesimbra 2019 - 15k

Boas! "Este Trail de Sesimbra parece uma prova interessante para a malta se inscrever... é perto de Lisboa e o camandro!"  ...